“Minha mãe me reconheceu em uma festa anos após eu ser dada como morta”: o reencontro real de Delimar Vera com sua família biológica

Caso impressionante nos Estados Unidos envolve sequestro de bebê, incêndio forjado e reencontro seis anos depois com ajuda de um teste de DNA

Fala Amazonas
23/07/2025 às 23:50

O que parecia ser o desfecho trágico de um incêndio em 1997, nos Estados Unidos, transformou-se, anos depois, em uma das histórias mais surpreendentes de reencontro familiar já registradas. A protagonista é Delimar Vera, sequestrada com apenas dez dias de vida e dada como morta no incêndio que destruiu o quarto onde dormia. Seis anos depois, sua mãe biológica a reconheceu — viva — em uma festa infantil.

O caso foi resgatado em detalhes no programa Outlook da BBC, onde a própria Delimar narra os acontecimentos que mudaram sua vida.

O incêndio e a falsa morte

Na noite de 15 de dezembro de 1997, um incêndio atingiu a casa de Luz Cuevas e Pedro Vera, na Filadélfia. A bebê Delimar, que dormia sozinha em um quarto no andar superior, foi declarada morta e consumida pelo fogo, segundo relatórios da época. No entanto, nenhum vestígio do corpo foi encontrado, e a mãe sempre suspeitou de que algo estava errado.

Do outro lado da cidade, a criança estava viva. Criada por Carolyn Correa, mulher com laços familiares com o pai de Delimar, a menina recebeu o nome de Aaliyah, cresceu com outros três irmãos e frequentava escola de modelos infantis.

O reencontro inesperado

Em janeiro de 2004, durante uma festa de aniversário, Luz Cuevas reencontrou a filha por acaso. Ao observar a criança de seis anos, identificou as mesmas covinhas de Delimar. Em um gesto desesperado, arrancou discretamente um fio de cabelo da menina para realizar um teste de DNA.

A confirmação veio dias depois: Aaliyah era, de fato, Delimar Vera, a filha desaparecida.

Tentativa de sabotagem e investigação

Segundo Delimar, Carolyn tentou sabotar o teste de DNA, borrifando spray com saliva em sua boca, na tentativa de interferir no resultado. Mesmo assim, o exame confirmou a verdadeira identidade da menina.

A investigação revelou que Carolyn fingiu uma gravidez, criou documentos falsos e inventou um parto domiciliar para justificar o surgimento da criança. Ela foi presa e condenada por sequestro, cumprindo pena mínima de nove anos de prisão.

Trauma, adaptação e reconexão

Após o reencontro, Delimar foi morar com a família biológica. Apesar do afeto recebido, ela relata que se sentia uma estranha em sua nova casa. A transição foi marcada por sentimentos de perda, saudade da antiga família e dificuldades emocionais durante a adolescência.

“Eu queria provar para minha mãe que era a filha perfeita, a filha de quem ela sentiu tanta falta. Mas, mesmo com todo o amor, me sentia desconectada”, contou.

A reconciliação plena com a mãe só veio na vida adulta. Hoje, Delimar e Luz são próximas: “Ela é minha melhor amiga. Ligamos uma para a outra só para conversar ou perguntar ‘o que você está fazendo?’”, relatou.

O documentário

A história completa está disponível no documentário “Back from the dead: Who kidnapped me?” (“De volta do mundo dos mortos: Quem me sequestrou?”), lançado em plataformas de streaming. O caso, que ganhou repercussão internacional no início dos anos 2000, volta a emocionar pela complexidade dos sentimentos envolvidos — e pela persistência de uma mãe que nunca deixou de acreditar que sua filha estava viva.

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