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Sobretaxa de 50% imposta por Trump pressiona exportações e pode agravar tendência de alta no preço da proteína bovina
Fala Amazonas
31/07/2025 às 13:50
A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo a carne bovina, pode impactar o mercado interno e contribuir para o aumento no preço da carne no Brasil, segundo avaliam especialistas do setor. A medida, que passa a valer no dia 6 de agosto, foi anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump e inclui diversos alimentos fora da lista de exceções tarifárias.
Embora a sobretaxa seja aplicada diretamente aos importadores americanos, e não aos produtores brasileiros, analistas ouvidos pelo portal g1 alertam que os efeitos podem reverberar no mercado interno de forma indireta, dependendo do comportamento da demanda internacional.
Possível queda seguida de alta
De acordo com Wagner Yanaguizawa, especialista em proteína animal do Rabobank, o tarifaço pode, num primeiro momento, causar leve queda nos preços da carne no Brasil, caso os produtores redirecionem a oferta destinada aos EUA para o mercado interno.
No entanto, essa situação seria temporária. A expectativa, reforçada também por Cesar de Castro Alves, gerente da consultoria agro do Itaú BBA, é de que a medida provoque redução no abate de bois, uma vez que os produtores, ao preverem menor lucratividade com exportações, tendem a segurar os animais ou diminuir a engorda.
“A carne não deve ficar mais barata por muito tempo. O número de abates deve cair no segundo semestre. Esse movimento já estava em andamento, mesmo antes do tarifaço”, explicou Yanaguizawa.
EUA: segundo maior destino da carne brasileira
Os Estados Unidos representam 12% das exportações brasileiras de carne bovina, sendo o segundo maior comprador, atrás apenas da China, que consome quase metade da carne exportada pelo Brasil.
Segundo especialistas, os norte-americanos compram majoritariamente a parte dianteira do boi, utilizada na produção de hambúrgueres. As demais partes já são destinadas a outros mercados ou absorvidas pelo consumo interno.
Apesar da pressão vinda dos EUA, há possibilidade de redirecionamento para novos mercados emergentes, como o Egito, que tem elevado sua demanda por carne brasileira. Além disso, concorrentes como Austrália e os próprios EUA enfrentam problemas sanitários e redução da produção, o que pode favorecer o Brasil na disputa internacional.
Pressões adicionais no cenário doméstico
O momento já é de volatilidade no setor de proteínas. A retenção de fêmeas para reprodução, que reduz a oferta de animais prontos para o abate, já vinha sendo registrada pelos analistas. A isso se somam fatores como:
- Redução no preço do boi gordo, que caiu 7,21% em julho, segundo o Cepea
- Diminuição no custo da ração, o que poderia aliviar temporariamente o custo de produção
- Pressão da China para redução de preços, que pode frear exportações em curto prazo
No entanto, a perspectiva geral é de que, passadas as flutuações momentâneas, o preço da carne volte a subir, principalmente com a provável queda na oferta global, estimada em 2%, segundo o Rabobank.
Reflexo para o consumidor manauara
Para os consumidores de Manaus e do interior do Amazonas, o impacto pode ser sentido nas prateleiras e açougues, principalmente nos cortes mais populares derivados da parte dianteira do boi — justamente os mais afetados pelo mercado externo.
Diante do cenário, especialistas recomendam atenção ao comportamento dos preços nos próximos meses, especialmente no período de fim de ano, quando o consumo aumenta.
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