Por Fala Amazonas | Atualizado em 02/08/2025 às 06h00
Um ano após a tragédia que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), nova revelação traz à tona detalhes que apontam responsabilidade operacional na queda do voo ATR‑72 da Voepass. Um ex-funcionário contou à g1 que o piloto que operou a aeronave na madrugada anterior ao desastre relatou uma pane no sistema de degelo, mas o alerta não foi registrado oficialmente no diário de bordo técnico (TLB) – e mesmo assim a aeronave foi liberada para decolar .
🔍 O que aconteceu?
- Na madrugada anterior à queda, um piloto informou verbalmente à equipe de manutenção sobre um problema no sistema de degelo: o sistema desligava sozinho ao ser acionado, o que não deveria ocorrer .
- Sem o registro no TLB, a liderança do hangar entendeu que não havia pane formalmente documentada, e autorizou o voo subsequente para Cascavel, que resultou na tragédia em Vinhedo .
⚙️ Por que isso é grave?
Segundo o regulamento brasileiro de aviação, o pleno funcionamento do sistema de degelo é essencial quando há risco de formação de gelo durante o voo. A ausência de registro formal impediu que a falha fosse avaliada e reparada antes da decolagem – uma grave falha nos padrões de segurança operacional .
👩🔧 Relato da fonte
O ex-funcionário explicou:
“Foi alegado que ela tinha apresentado o airframe [fault] durante o voo. Estava desarmando sozinha. Ele acionava e ela desarmava. Coisa que não poderia acontecer.”
Ele também descreveu pressões internas para evitar a parada de aeronaves, com manutenção retardada ou componentes sendo retirados de outras aeronaves para manter a operação .
📦 O que diz a perícia?
- A caixa‑preta gravou conversas entre os pilotos do voo final em que mencionam a falha no sistema de degelo. O equipamento foi acionado três vezes durante o trajeto, mas muito provavelmente não funcionou, segundo o diretor do Instituto Nacional de Criminalística .
- Especialistas em engenharia aeronáutica da USP afirmam que, diante das condições meteorológicas e do histórico da aeronave, o voo não deveria ter sido liberado para operação .
🛠️ Problemas anteriores na aeronave
- A aeronave ATR‑72, matrícula PS‑VPB, já havia apresentado falhas estruturais e hidráulicas. Em março de 2024, foi identificada estrutura danificada e, um dia antes do acidente, passageiros relataram calor extremo devido à falha no ar-condicionado .
- Funcionários contaram que havia lista extensa de ACR (Ações Corretivas Retardadas) e que a empresa operava com aeronave com defeitos pendentes .
🏛️ Repercussões e contexto regulatório
- A ANAC suspendeu cautelarmente as operações da Voepass em março de 2025, e em junho a empresa perdeu definitivamente o certificado de operação aérea, após auditorias que identificaram falhas graves de segurança .
- A Polícia Federal também investiga eventual crime na tragédia. O processo busca identificar responsabilidades humanas e administrativas pelo acidente .
✅ Conclusão
O depoimento do ex-funcionário reforça que a queda da aeronave poderia ter sido evitada se a falha no sistema de degelo tivesse sido registrada e corretamente investigada. A combinação de cultura de manutenção negligente, pressão operacional e ausência de registros formais levanta sérias questões sobre a segurança na aviação comercial brasileira – e impacta diretamente as famílias das vítimas e a confiança pública na indústria .
📰 Fontes:
- g1 (02/08/2025): Ex-funcionário revela falha omitida no diário de bordo
- Polícia e perícia técnica: investigação em curso
- Wikipedia e cenipa: contexto do acidente Voo 2283 da Voepass
Edição: Equipe Fala Amazonas













