Manaus leva ajuda humanitária a 2 mil famílias afetadas pela cheia em nova fase da Operação Cheia

Prefeitura distribui alimentos, colchões e kits de higiene em comunidades ribeirinhas e bairros da capital; ação foca nas áreas mais isoladas

Com 200 toneladas de mantimentos sendo distribuídas, a Prefeitura de Manaus iniciou nesta segunda-feira (14) uma nova etapa da Operação Cheia, levando ajuda humanitária a mais de 2 mil famílias afetadas pela subida das águas na capital e comunidades ribeirinhas do entorno.

A ação inclui cestas básicas, colchões, kits de higiene e até gelo para conservação de alimentos, e atende tanto as comunidades ribeirinhas quanto os nove bairros da cidade que, mesmo fora do decreto de calamidade pública, sofrem os efeitos da cheia do Rio Negro e de seus afluentes.

“Mesmo com a água baixando alguns centímetros, a fome e a perda da produção continuam. Nossa prioridade é chegar a quem mais precisa, inclusive nos pontos mais distantes”, destacou o prefeito interino Renato Junior, durante o lançamento da nova fase da operação.


37 comunidades ribeirinhas já atendidas

Nesta segunda fase, a Operação Cheia ampliou sua cobertura para 37 comunidades. Caminhões, lanchas, voadeiras e botes estão sendo utilizados para levar os insumos a locais de difícil acesso. Entre os bairros atendidos estão Educandos, São Raimundo, Colônia Antônio Aleixo e Mauazinho, áreas tradicionalmente vulneráveis durante o período de cheia.

“Essas famílias são manauaras, dependem da agricultura, da pesca, do pequeno comércio. Se for preciso atravessar igarapés de voadeira, vamos fazer”, garantiu Renato Junior.


Ações preventivas evitaram estado de calamidade

Diferente de outras cidades amazonenses que decretaram calamidade pública, Manaus conseguiu enfrentar o avanço das águas sem entrar em colapso. Segundo o prefeito interino, isso se deve a um conjunto de ações preventivas iniciadas com mais de dois meses de antecedência.

Entre essas medidas, estão:

  • Construção de mais de 2,3 mil metros de pontes de madeira em áreas ribeirinhas e urbanas;
  • Mutirões de limpeza dos igarapés e retirada de lixo;
  • Desassoreamento de canais com escavadeiras da Seminf (Secretaria Municipal de Infraestrutura);
  • Desobstrução de bueiros, especialmente em pontos críticos da cidade.

“Quem alagava em 2021, não alaga mais. O que antes era lixo bloqueando a água, agora é canal livre para escoamento. Trabalhamos com técnica, de forma integrada entre secretarias”, explicou.


Apoio com recursos próprios e planejamento orçamentário

Toda a logística da Operação Cheia está sendo bancada com recursos previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025. Segundo Renato Junior, a preparação antecipada foi essencial para evitar o colapso dos serviços públicos e garantir autonomia da gestão.

“Se estivéssemos em calamidade, estaríamos pedindo recursos a outros entes. Mas nos preparamos com orçamento aprovado, e estamos executando com responsabilidade fiscal e planejamento”, afirmou.


Editorial Fala Amazonas: gestão técnica, socorro humano

A nova fase da Operação Cheia mostra que o enfrentamento a desastres naturais no Amazonas precisa ir além do improviso. A resposta eficaz exige planejamento técnico, sensibilidade social e proximidade com quem mais sofre — como os agricultores, ribeirinhos e moradores da periferia urbana. Garantir alimentos e dignidade é o mínimo que se espera diante de uma realidade cíclica, previsível e cada vez mais intensa.

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