Manaus segue com um dos piores índices de saneamento básico do Brasil, aponta levantamento nacional

Um novo levantamento divulgado nesta terça-feira (15) coloca Manaus em destaque negativo no cenário nacional: a capital do Amazonas aparece entre os 20 municípios brasileiros com os piores indicadores de saneamento básico, conforme o Ranking do Saneamento 2025, produzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. A análise se baseia em dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) referentes ao ano de 2023.

O estudo reforça um cenário preocupante: o acesso universal à água tratada e esgotamento sanitário ainda é um desafio distante para grande parte das cidades brasileiras, incluindo importantes capitais da região Norte e Nordeste. Além de Manaus, o ranking negativo inclui outras sete capitais: Recife (PE), Maceió (AL), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO).

Investimentos aquém do ideal comprometem avanços

Segundo o levantamento, apenas 12 dos 100 maiores municípios do país investiram acima da média considerada adequada para alcançar a universalização dos serviços. O valor estimado ideal é de R$ 223 por habitante ao ano. No entanto, entre as 20 cidades com pior desempenho, a média de investimento foi de apenas R$ 78,40 por pessoa, ou seja, 65% abaixo do necessário.

Entre os 20 melhores colocados, o investimento foi mais próximo do ideal — R$ 176,39 por habitante, o que ainda representa uma defasagem de 20%, mas com resultados mais positivos na cobertura dos serviços.

Manaus lidera os investimentos na região Norte, afirma concessionária

Apesar da posição crítica no ranking, a concessionária Águas de Manaus afirma que a cidade tem feito esforços consistentes. De acordo com a empresa, mais de R$ 1,1 bilhão foram investidos em saneamento básico entre 2019 e 2023, tornando Manaus a sexta capital com maior volume de investimentos no país nesse período. A companhia destaca ainda que 89% de todo o investimento em saneamento na região Norte está concentrado em Manaus.

Descompasso entre investimento e impacto

A presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, alertou que os avanços, embora existam, ainda são insuficientes frente à meta de universalização definida pelo novo marco legal do saneamento.

“Tivemos uma leve melhora no volume de recursos aplicados, que passou de R$ 111 para R$ 126 por habitante ao ano. Mas esse valor continua muito abaixo do que o país precisa para transformar a realidade de milhões de brasileiros”, declarou.

O dado evidencia um descompasso entre os valores aplicados e o impacto prático na vida da população — um gargalo que afeta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e a qualidade de vida nas cidades.

Desafios persistem para a capital amazonense

Com uma população em constante crescimento e desafios históricos relacionados à infraestrutura urbana, Manaus enfrenta um longo caminho até alcançar padrões adequados de saneamento básico. O destaque negativo no ranking evidencia a urgência de acelerar projetos, ampliar cobertura e garantir que os investimentos realmente se traduzam em melhoria de serviços para os moradores da capital.

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