Prefeitura de Manaus reforça importância da adesão às ações de prevenção à gravidez na adolescência 

Mesmo com Manaus mantendo uma proporção de 14,43% de gravidez na adolescência em 2025, taxa dentro da média nacional, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), ainda enfrenta o desafio de promover maior engajamento de adolescentes aos serviços de saúde na Atenção Primária para fortalecer as ações de prevenção à gravidez, apesar da garantia de sigilo e a possibilidade de atendimento individual (sem acompanhamento de pais e responsáveis).

Entre adolescentes, segmento definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como pessoas com idade entre 10 a 19 anos, dados da Semsa mostram que houve o registro de 4.217 nascidos vivos de mães residentes em Manaus no ano passado, em um total de 29.208 nascidos vivos.

A chefe do Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente da Semsa, enfermeira Janaína de Sá Terra, lembra que, em 2015, o número de nascidos vivos de mães menores de 20 anos em Manaus chegou a 9.238.

A enfermeira aponta que, apesar da redução importante, a gravidez não intencional na adolescência ainda é uma preocupação, em especial por ser um fator de risco para mortalidade materna e infantil, e a Semsa tem buscado superar a resistência para a adesão aos serviços disponíveis nas unidades de saúde, onde a população pode ter acesso a informações corretas e às ações de prevenção, incluindo o planejamento reprodutivo.

“A Semsa, junto com os profissionais de saúde, vem estabelecendo estratégias para fortalecer a adesão. A intenção é que o adolescente, de ambos os sexos, saiba que pode procurar atendimento e que terá sua demanda respondida com resolutividade e segurança. Mesmo com a presença dos pais, o profissional de saúde deve apresentar a possibilidade do atendimento desacompanhado, estimulando o protagonismo dos adolescentes no autocuidado”, destaca Janaína Terra.

A Semsa também atua na prevenção à gravidez na adolescência por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), com Manaus tendo a adesão de 350 escolas, que estão vinculadas a uma equipe de saúde.

Na unidade de saúde, os adolescentes têm o direito de ter consulta com o profissional de saúde sem o acompanhamento dos pais ou responsáveis, o que é assegurado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e também por recomendação em Nota Técnica do Ministério da Saúde.

Para a prevenção à gravidez na adolescência, a Semsa disponibiliza diferentes métodos contraceptivos. A população pode ter acesso à inserção do Dispositivo Intrauterino (DIU) em 44 unidades de saúde, métodos contraceptivos orais e injetáveis em todas as unidades de saúde da rede municipal. Também há a distribuição de preservativos, que atuam na dupla proteção para evitar a gravidez e as infecções sexualmente transmissíveis.

“Em janeiro deste ano, a Semsa também passou a disponibilizar o implante subdérmico como método contraceptivo reversível de longa duração, que tem efetividade por até três anos. Inicialmente, o implante está disponível para atendimento prioritário de adolescentes a partir de 14 anos e mulheres em situação de vulnerabilidade social”, informa Janaína.

Mortalidade materna

A gravidez não intencional na adolescência traz uma série de riscos para a saúde da gestante e do bebê, considerando que o sistema reprodutivo ainda está em desenvolvimento e, muitas vezes, não está totalmente preparado para a gestação e para o parto. Além das questões de vulnerabilidade psicológica e social, a gravidez precoce pode levar a altos níveis de ansiedade, risco de transtornos psiquiátricos e depressão, o que aumenta a probabilidade de complicações graves durante a gestação e parto.

A chefe do Núcleo de Investigação de Óbitos (Nuiob/Semsa), enfermeira Karine Costa de Souza, explica que as principais causas de morte materna entre adolescentes incluem complicações hipertensivas (pressão alta na gravidez), hemorragia (sangramento) pós-parto e infecções. Já os bebês de mães adolescentes têm maior risco de nascerem prematuros, com baixo peso e de enfrentarem dificuldades na amamentação, o que aumenta as chances de adoecimento e morte no primeiro ano de vida.

Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, atualizado na quinta-feira, 5/2, mostram que Manaus, entre 2016 e 2024, registrou três óbitos maternos em menores de 14 anos e 30 na faixa de 15 a 19 anos. Nesse mesmo período, houve uma redução 66,6% no registro absoluto de mortes maternas no grupo etário de 15 a 19 anos, passando de seis em 2016 para dois em 2024.

Para avaliar o risco, é utilizado um indicador chamado Razão de Mortalidade Materna (RMM), que mede o número de mortes de mulheres relacionadas à gravidez, ao parto ou até 42 dias após o parto, a cada 100 mil nascidos vivos.

Em 2024, a RMM em Manaus foi de 515 mortes por 100 mil nascidos vivos entre meninas com menos de 14 anos. No mesmo ano, mulheres de 20 a 34 anos apresentaram uma RMM de 74, enquanto aquelas com 35 anos ou mais tiveram uma taxa de 196/100 mil nascidos vivos.

A enfermeira ressalta que os números evidenciam que as adolescentes, especialmente as mais jovens, apresentam um risco significativamente maior de morte por complicações da gravidez, e que um fator importante para a prevenção de óbitos maternos é o início precoce do pré-natal nas unidades de saúde.

“Muitas adolescentes demoram a procurar os serviços de saúde, seja por medo, vergonha, falta de informação ou dificuldade de acesso. Isso compromete a identificação precoce de riscos e aumenta as chances de complicações graves. Então, procurar uma unidade de saúde é fundamental, tanto para evitar uma gravidez não planejada quanto para garantir uma gestação mais segura quando ela acontece. O pré-natal salva vidas e precisa começar o quanto antes, especialmente entre adolescentes”, conclui.

#paratodosverem – Grávida segurando caderneta de gestante

— — — 

Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa

Fotos – Divulgação/Semsa


source

Share this article

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress