Rio Negro começa a recuar após 250 dias de cheia e preocupa moradores do Centro de Manaus

O nível do Rio Negro em Manaus registrou uma queda de dois centímetros nesta quarta-feira (9), atingindo a marca de 29,03 metros, segundo a Defesa Civil do Amazonas. A redução, ainda que tímida, marca a primeira baixa registrada após cerca de 250 dias de subida contínua das águas.

A cheia histórica, iniciada em outubro de 2024, já afeta mais de 525 mil pessoas em todo o estado, segundo boletim atualizado na terça-feira (8). Moradores enfrentam alagamentos, prejuízos na produção agrícola e dificuldades de locomoção.

⚠️ Alerta continua
Apesar do recuo, o nível do Rio Negro ainda está acima da cota de inundação severa, fixada em 29 metros. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indica que, neste ano, o rio não deve atingir a cota histórica de 30,02 metros registrada em 2021.

A estabilidade do nível das águas começou no domingo (5) e se manteve até a leve queda registrada hoje. No entanto, especialistas alertam que a vazante ainda não pode ser confirmada. Segundo o meteorologista Renato Senna, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), é necessário um período mais prolongado de quedas para caracterizar oficialmente o início da vazante.

🧠 Por que a cheia foi tão longa?
A pesquisadora Jussara Cury, do SGB, explica que o fenômeno é resultado do acúmulo de chuvas na porção norte da bacia amazônica. O Rio Negro está sendo “represado” pelos níveis elevados do Rio Solimões, dificultando o escoamento da água na região de Manaus.

📏 Classificação do nível do Rio Negro

  • 🔴 Cota histórica máxima (2021): 30,02m
  • 🟠 Inundação severa: 29,00m
  • 🟡 Inundação: 27,50m
  • ⚪ Alerta: 27,00m

📉 Variação do nível nos últimos dias
(Valores em metros)

  • 25/06 – 28,96
  • 30/06 – 29,04
  • 05/07 – 29,06
  • 09/07 – 29,03

🚤 Impacto no Centro de Manaus
O cenário no entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa é de alerta. Ruas como a Travessa Tabelião Lessa e a Rua dos Barés já estão alagadas, afetando o tráfego de veículos e o trabalho de feirantes e motoristas.

“Está atrapalhando a locomoção. Daqui a pouco, só de canoa”, relatou Elielson Silva, que atua no transporte de cargas e passageiros no Centro.

📍 Municípios em situação de emergência
Até esta quarta (9), 40 dos 62 municípios do Amazonas estão com decretos de emergência em razão da cheia. A maioria está localizada nas regiões dos rios Juruá, Solimões, Madeira, Purus e Negro.
Além disso, 18 municípios estão em estado de alerta, e quatro em situação de normalidade.

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