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Família sobrevive após carro ser esmagado entre carretas; motorista que provocou acidente pode responder por homicídio doloso
Fala Amazonas
29/07/2025 às 22:10
Uma viagem de retorno para casa quase terminou em tragédia na manhã da última segunda-feira (21), quando um carro com cinco pessoas da mesma família foi esmagado entre duas carretas na BR-101, em Joaquim Gomes (AL). Apesar da gravidade, todos os ocupantes sobreviveram. A cena mais marcante do resgate ocorreu quando a mãe, Sâmia Kelly, em meio ao desespero, clamou aos socorristas: “Segura a mão do meu filho”.
O menino Pedro, de apenas sete anos, ficou com a mandíbula fraturada. Em vídeos que circularam nas redes e na imprensa nacional, ele aparece com a mão estendida para fora das ferragens, enquanto era tranquilizado pelos socorristas e pelo próprio pai, o dentista Carlos Henrique, que também estava preso dentro do veículo.
“Eu fiquei aflita. Vi que meu filho chamou alguém e disse: ‘Moço, moço, segura a minha mão’. Eu queria estar com ele, mas nem conseguia vê-lo”, relatou a mãe, em entrevista emocionada à TV Globo.
Acidente envolveu oito veículos
O acidente ocorreu por volta das 9h, em um trecho da rodovia que passa por obras de duplicação, sob o sistema “pare e siga”. A família voltava de Maceió para Colônia Leopoldina, após um fim de semana festivo.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a carreta que causou o acidente transportava cenouras de Minas Gerais com destino a Recife. O motorista, Anderson Luiz Santos Silva, de 36 anos, não teria respeitado o tempo obrigatório de descanso, o que pode ter levado à perda de controle do veículo.
A carreta raspou na lateral de um ônibus e colidiu com o carro da família, que foi imprensado contra outra carreta à frente. O impacto envolveu oito veículos e deixou duas vítimas fatais em outro automóvel.
Sobrevivência e comoção
Além de Pedro e seus pais, também estavam no carro a irmã Nina, de 12 anos, que teve ferimentos leves, e a avó Sebastiana, de 76 anos, que chegou a ficar desacordada. Todos foram resgatados com vida.
Pedro, em recuperação, recebeu uma festa dos amigos e revelou um desejo simples:
“O que eu mais quero agora é comer e apagar esse negócio da minha memória.”
Responsabilização: motorista pode ser indiciado por homicídio doloso
O motorista Anderson fugiu do local e só se apresentou à polícia dois dias depois, alegando temor de ser linchado ao saber das mortes. A PRF confirmou que ele havia sido notificado na noite anterior por não cumprir o tempo mínimo de descanso, de 11 horas seguidas a cada 24 horas de jornada.
A Polícia Civil de Alagoas investiga se o condutor assumiu o risco de provocar o acidente, o que pode levar a um indiciamento por homicídio doloso, quando há intenção implícita no ato.
A defesa alega falha na sinalização da via. Já o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) divulgou imagens indicando que a sinalização no trecho em obras era adequada.
Um apelo à responsabilidade nas estradas
O caso lança luz sobre a recorrente negligência no transporte rodoviário brasileiro, especialmente no descumprimento da Lei do Descanso. Quantos acidentes ainda podem ser evitados com fiscalização mais rigorosa? Qual o custo humano de um sistema logístico que muitas vezes coloca o lucro acima da vida?
A sobrevivência da família Pereira é vista como um milagre. Mas para outras vítimas do trânsito, nem sempre há tempo para um socorro — ou para um gesto tão simples quanto segurar a mão de quem mais se ama.
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