Técnicos de saúde da Prefeitura de Manaus discutem estratégias para melhoria na atenção à saúde de gestantes, bebês e mães puérperas, durante a primeira reunião ordinária de 2026 do Comitê Municipal de Prevenção do Óbito Materno, Infantil e Fetal (Cmpomif). O encontro acontece, nesta quarta-feira, 11/3, a partir das 8h, na faculdade Martha Falcão Wyden, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul da capital.
Na reunião, representantes da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e demais órgãos e instituições integrantes do comitê vão discutir o cenário da mortalidade materno-infantil em Manaus, com dados referentes ao ano passado, e analisar casos de óbitos ocorridos na rede de saúde da capital.
A membro do Cmpomif e responsável pela análise de óbitos maternos da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher da Semsa, assistente social Wanja Leal, ressalta que o comitê municipal inicia o ano fortalecido, tendo ampliado suas ações em 2025 com a criação das comissões temáticas de Educação Permanente em Saúde e de Comunicação.
“Conseguimos cumprir uma agenda anual, reunindo diferentes setores em torno da questão da mortalidade materno-infantil, e iniciamos as atividades de 2026 trazendo dados que irão nos ajudar a definir como atuar ao longo do ano”, assinala a servidora.
Entre as iniciativas conduzidas no último ano, a segunda-secretária do Cmpomif e também técnica da Saúde da Mulher da Semsa, enfermeira Gerda Costa, destaca as visitas do comitê às maternidades de alto risco de Manaus e às Unidades de Saúde da Família (USFs) da Semsa. A atividade, ela aponta, possibilitou ao grupo conhecer melhor o trabalho na atenção à saúde materno-infantil, nos diferentes níveis de assistência.
“Essas visitas foram um marco, possibilitando ao comitê acompanhar os serviços prestados na atenção ao pré-natal, parto e puerpério, e verificar sua adequação às necessidades das gestantes, parturientes e puérperas”, relata a enfermeira.
“Para se falar de mortalidade materno-infantil é preciso conhecer os serviços prestados a essas mulheres. As visitas permitem a órgãos de controle e outros integrantes discutir esse tema com mais propriedade, a partir da realidade vista nas maternidades e USFs”, complementa Wanja.
Panorama e casos
A pauta da 1ª reunião ordinária de 2026 inicia com a apresentação de um panorama da mortalidade materno-infantil e fetal em Manaus, com dados de sistemas do Ministério da Saúde, qualificados pelo Núcleo de Investigação de Óbitos, da Diretoria de Vigilância Epidemiológica, Ambiental, Zoonoses e da Saúde do Trabalhador da Semsa, referentes ao ano de 2025.
Gerda Costa assinala que o panorama inclui não apenas números de casos, mas também dados demográficos e populacionais, como idade, renda, nível educacional, ocupação, localização geográfica e raça/cor. “Com isso, podemos perceber quem são as mulheres que estão vindo a óbito, e direcionar melhor as ações dos órgãos inseridos na luta para prevenção da mortalidade materna”, aponta.
Na sequência da reunião, serão apresentados casos de óbitos ocorridos na capital, com a análise dos serviços prestados às usuárias do início do atendimento até o desfecho negativo, nas visitas em domicílio, no pré-natal na unidade básica e no atendimento na maternidade.
“Vamos ouvir, em um primeiro momento, o que os representantes vão inferir dessas análises, e a partir daí vamos elaborar recomendações a serem futuramente direcionadas às várias instituições que integram o comitê”, relata Gerda, informando que as recomendações são emitidas semestralmente aos participantes do colegiado.
Wanja Leal ressalta que todos os óbitos materno-infantis são analisados também pelas equipes de Saúde da Mulher da Semsa, com o objetivo de analisar o percurso das usuárias na rede de saúde e aprimorar processos de trabalho.
“Com essas investigações, buscamos avançar para promover um cuidado mais acessível, humanizado e atento às questões das usuárias”, observa a assistente social, que é responsável pela análise de causa raiz dos óbitos maternos da Saúde da Mulher da Semsa, quando o atendimento pré-natal ocorre nas unidades da rede básica.
Prevenção
O Cmpomif atua com foco na prevenção de condições ligadas ao óbito materno, infantil e fetal, buscando identificar fatores de risco e propor medidas para melhoria da assistência integral à saúde de gestantes, puérperas e neonatos no município.
O comitê reúne representantes da gestão municipal e estadual de saúde, de unidades da rede pública e privada, do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), além de universidades e outros órgãos públicos, conselhos de classe, associações e entidades ligadas à saúde materno-infantil e à assistência social, cidadania e direitos humanos.
Para Wanja Leal, a reunião de diversas instituições e setores envolvidos no cuidado à saúde de mães, gestantes e bebês tem impacto positivo no enfrentamento da mortalidade materno-infantil no município.
“Reunir esses diferentes atores e olhares, da saúde e de outras áreas, nos permitiu discutir o tema com maior profundidade, além de reunir informações e transformar isso em ações para o aprimoramento e a melhoria do cuidado de mães e bebês na nossa cidade”, conclui.
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Texto – Jony Clay Borges / Semsa
Fotos – Divulgação / Semsa













