Superintendente Bosco Saraiva avalia que aumento de 50% nas tarifas anunciado por Donald Trump não afeta de forma significativa o Polo Industrial de Manaus
A recente decisão do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que voltou ao poder nos Estados Unidos e anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, causou forte repercussão no cenário político e econômico. No entanto, segundo o superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, a medida não deve afetar diretamente o Polo Industrial de Manaus (PIM).
“Do ponto de vista das exportações do Polo Industrial, o volume destinado aos Estados Unidos é muito pequeno em relação ao nosso faturamento. Por isso, não esperamos grandes impactos nesse momento”, declarou Saraiva, nesta quinta-feira (10).
A nova tarifa, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, foi comunicada por meio de uma carta enviada por Trump ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, e faz parte de uma retaliação política, segundo analistas internacionais. Na mensagem, o norte-americano alega que a relação comercial entre os dois países tem sido “injusta”, citando déficits comerciais como justificativa para a medida.
Zona Franca mantém postura de cautela
Apesar da tranquilidade inicial, a Suframa adota uma postura de atenção e cautela. Bosco Saraiva afirmou que acredita na capacidade de negociação do governo federal e defendeu uma atuação prudente diante do novo cenário:
“A prudência deve ser o nosso guia. Acreditamos na força diplomática do governo brasileiro e na habilidade do nosso ministro para conduzir esse momento com equilíbrio”, reforçou o superintendente.
Tarifa com tom político
A iniciativa de Trump está sendo interpretada como uma resposta política ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta processos no Supremo Tribunal Federal (STF). Na carta enviada ao governo brasileiro, Trump classificou a situação jurídica de Bolsonaro como uma “vergonha internacional”, e afirmou que as novas tarifas seriam uma reação à instabilidade institucional no Brasil.
Trump também justificou a medida como uma forma de corrigir desequilíbrios comerciais. No entanto, dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revelam que o Brasil registra déficits comerciais com os EUA desde 2009, ou seja, há mais de 15 anos. Isso significa que o país importa mais do que exporta para o mercado norte-americano — o que contradiz o argumento de prejuízo à economia dos Estados Unidos.
Setores mais afetados
Apesar de o PIM manter-se protegido, setores da economia brasileira com maior dependência do mercado americano podem sentir os efeitos da nova tarifa, especialmente na indústria de commodities, agroexportação e manufaturados fora do modelo incentivado da Zona Franca.













